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Que outro lugar eu iria?

Postado por: Mentalista
Data: 2016-08-21 16:38:22 (Atualizado em: 2017-01-13 00:46:52)

Tags: blog, artigos

Essa é uma das perguntas que muitas pessoas se fazem, e que qualquer testemunha de Jeová já deve ter feito. A pergunta muitas vezes é substituída por uma afirmação, mais ou menos assim: "Este é o caminho que eu devo seguir, porque eu não vejo um outro caminho que seja melhor."

Na realidade, essa é uma pergunta do tipo conhecido como 'bloqueador de pensamento'. Pode parecer válida, mas não deixa de ser uma distração. Esse tipo de questão desvia, pela indução de medo daquilo que virá a seguir, a sua atenção da questão mais importante e que veio primeiro: "A Sociedade Torre de Vigia promove a 'verdade'?"

O medo não deve impedir uma avaliação honesta dos fatos. É apenas depois de convencida que a Torre de Vigia não ensina a "verdade" que uma pessoa precisa voltar sua atenção para a questão sobre "para onde ir". Se ela não se convencer disso, não precisará se preocupar com a segunda questão.

Para ilustrar, imagine que alguém diga que seu prato de comida está envenenado e que esteja difícil para você encontrar outro alimento. Agora veja duas formas de encarar o assunto:

1- Não vou verificar se meu prato está envenenado. Afinal, o que eu vou comer se descartá-lo? Vou continuar a comer, afinal eu não sei se ele realmente está envenenado. O importante é que estou com fome e não vejo outro lugar onde poderia obter alimento.

2- É melhor eu verificar se ele realmente está envenenado. Se estiver, eu o rejeito. Se não estiver, eu poderei me alimentar dele.

Qual das duas formas lhe parece a mais sensata?

Para onde ou para quem eu deveria ir?

Nas publicações da Torre de Vigia, vemos questões do tipo: "Onde poderíamos ir se deixassemos a organização de Deus hoje? Não há outro lugar! (João 6:66-69)". Mas, na realidade, em João 6:68, Pedro usou o termo "quem", não o termo "onde". E esta parece ser a essência do Cristianismo; não é sobre uma organização mas sobre ser um seguidor de Jesus.

"A verdade vos libertará." Essa liberdade viria  de pertencer a Jesus, não a uma organização; caso contrário, uma pessoa não estaria mais livre que os israelitas que eram escravos da legislação dos Fariseus. Isso se confirma por João 10:9: "Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá, e achará pastagem." e Atos 4:12: "Além disso, não há salvação em mais ninguém, pois não há outro nome debaixo do céu, que tenha sido dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos." O mesmo se vê em Atos 16:31: "Creia no Senhor Jesus e será salvo, você e os da sua casa."

A premissa fundamental de ser uma das testemunhas de Jeová é que adorar a Deus requer uma organização intermediária. Mesmo quando o coração sabe que não está na "Verdade", vestígios do pensamento tejoteano podem enganar uma pessoa para acreditar que uma organização é necessária e não há alguma melhor a Sociedade Torre de Vigia.

A Bíblia não fala sobre organizações. Segundo a narrativa bíblica, pelos primeiros 2.500 anos de história humana, não havia nenhuma organização e a adoração não dependia de ser membro de uma igreja. Mesmo assim, fala dos homens mais tementes a Deus, como Enoque, José, Noé e Abraão. Jó serviu a Deus depois da formação da nação de Israel e, embora não tenha tido nenhum vínculo com ela, a Bíblia fala que não havia ninguém como ele na Terra. (Jó 1:8)

Quando uma samaritana falou com Jesus sobre onde adorar, ele destacou que um lugar físico não era importante. João 4:

19 A mulher lhe disse: “Vejo que o senhor é um profeta. 20 Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês dizem que o lugar onde as pessoas devem adorar é em Jerusalém.” 21 Jesus lhe disse: “Acredite em mim, mulher: vem a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém, vocês adorarão o Pai. 22 Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação se origina dos judeus. 23 Contudo, vem a hora, e agora é, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai com espírito e verdade. Pois, realmente, o Pai está procurando a esses para o adorarem. 24 Deus é espírito, e os que o adoram têm de adorá-lo com espírito e verdade.”

Quanto à necessidade de um grupo, Mateus 18:20 é enfático: "Pois, onde há dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles." Embora Jesus tenha falado sobre estarem reunidos em seu nome, vemos nas reuniões das Testemunhas de Jeová um anúncio no início, mais ou menos como o seguinte: "Estamos aqui para mais uma reunião das Testemunhas de Jeová."

A formação de congregações na Bíblia era feita por uma questão de ordem, não por causa de uma organização que exigia obediência inquestionável.

As pessoas geralmente escolhem seu estilo de vida e religião de acordo com seus gostos e raramente por concluírem logicamente que aquilo é verdadeiro. Por exemplo, muitos se tornaram Testemunhas de Jeová pela atração da mensagem de vida eterna num paraíso terrestre. Se querem que isso seja verdadeiro, então veem isso como verdadeiro. Infelizmente, muitas pessoas caem nesse tipo de isca.

Com mais de 10.000 grupos religiosos e 30.000 seitas cristãs no mundo, é impossível examinar a cada uma delas. Nenhum grupo ensina verdades absolutas, que nunca mudam. A própria Torre de Vigia admite que vez por outra precisa refinar seus ensinos. É importante, então, ficar longe de grupos cujos líderes tentam tomar o controle de sua vida e de suas opiniões, privando-o de seus direitos humanos básicos e de sua liberdade. O Novo Testamento não dá uma lista de regras, mas princípios. Você pode aplicá-los nas suas circunstâncias e dentro do contexto cultural que vive.

Se uma religião contém muitas regras, está indo "além das Escrituras". Mateus 15:9 alertou sobre aqules que "ensinam as regras de homens como doutrinas".

Como Testemunha, certo e errado lhe foram ditados minuciosamente. Estas regras foram baseadas nos valores de pessoas antigas influenciadas em grande parte pela cultura americana do século 19. A verdade deles se tornou a sua "verdade" pessoal, que abrange o que você acredita sobre temas tão diversos como a cosmologia, moralidade, paleontologia e teologia. Ela influenciou a sua crença do passado histórico, a avaliação dos acontecimentos atuais e a esperança para o futuro profético. O seu comportamento era controlado por regras específicas ou limitado por "questões de consciência", com estas regras sendo a base para opiniões fortes sobre crenças e comportamentos de outras pessoas. Seu tempo foi repleto de atividades, seus amigos foram prescritos.

Se você decidir sair de sua religião, não se apresse em arrumar uma outra. Fique tranqüilo - a dor de confiança quebrada vai passar. O significado da sua vida não vai desaparecer; você ainda vai ser você e a vida vai continuar com todos os seus altos e baixos. Apesar da dor por serem rejeitados pela família e amigos, a maioria dos ex-Testemunhas relatam ser mais felizes e saudáveis, uma vez libertados.

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