Vazam documentos relacionados com abuso sexual entre as Testemunhas de Jeová

Postado por: Mentalista
Data: 2018-01-31 02:07:13 (Atualizado em: 2018-02-03 22:28:17)

Tags: testemunhas de Jeová, abuso sexual, investigação, processo, justiça, crianças, vazamento, pedófilos

Link para os documentos: Acessar

Os fundadores da MormonLeaks, uma organização que liberou centenas de documentos polêmicos relacionados com procedimentos internos da Igreja dos Mórmons, recentemente lançaram o FaithLeaks, um projeto que visa expor a corrupção e abuso em outras organizações religiosas. Recentemente, o grupo publicou dezenas de páginas de documentos relacionados com violência sexual entre as Testemunhas de Jeová, documentos que são parte de um banco de dados que representantes dsa TJs se recusaram a entregar em um julgamento, resultando em 1 ano e meio de batalha legal e milhões de dólares em multas.

As 69 páginas de documentos detalham como os representantes entre as TJs conduziram alegações de abuso sexual reincidente por um de seus servos ministeriais. As entrevistas e notas detalhadas compiladas dos que cuidaram dos casos de estupro são horríveis. Os 33 documentos também mostram como a Torre de Vigia tratou de casos semelhantes ao longo de quase uma década  - fazendo papel de terapista, promotor, júri e juíz - e até onde foram para manter as acusações longe das vistas dos "tribunais mundanos", expressão usada por eles próprios.

Os documentos mostram que em 1999 uma comissão de anciãos julgou plausíveis as alegações de duas mulheres cujo pai abusou delas sexualmente. No entanto, desistiram de formar uma comissão judicativa interna porque uma das filhas não queria ficar frente a frente com o pai estuprador e fazer as acusações formalmente. Anos depois ela decidiu fazer isso e o pai foi desassociado. Um ano depois ele foi readmitido. Os documentos mostram que os anciãos desincentivaram uma das acusadoras e seu marido a levarem o caso à polícia.

O FaithLeaks colocou online uma pequena porção de uma coleção enorme de documentos que mostram anos de investigação e deliberações de um servo ministerial que abusou física e sexual de suas duas filhas e de uma outra garota nas décadas de 70 e 80. Os nomes foram omitidos pela organização das TJs por questões de privacidade. O Gizmodo contatou o acusado que confirmou as acusações.


Em 1999 uma carta escrita para a Watchtower por três anciãos na "congregação Palmer de Brimfield", Massachusetts, sobre a investigação das acusações, mostra-se que eles entrevistaram as duas filhas, que hoje são adultas, para determinar se seus relatos de abuso e agressão eram "memórias reprimidas". Uma filha contou que foi fisicamente abusada por anos e sexualmente abusada por meses começando quando ela tinha 5 anos de idade. Em sua declaração ela alegou que seu pai repetidamente tocou em suas partes íntimas e examinou sua vagina. Documentos posteriores mostram que o acusado admitiu aos anciãos que amarrou sua filha à cama dela para ver sua vagina e conferir se havia sinais de masturbação.

A carta também descreve uma entrevista com a filha caçula, que alegou experiências incluindo molestamento por parte de seu pai aos 3 anos de idade e 4 anos de abuso contínuo a partir dos 8 anos de idade. Ela descreveu que seu pai depois sentava na cama e chorava ao mesmo tempo que orava com ela. Seu pai lhe dizia que se ela contasse a sua mãe ou irmã "alguém sairia machucado".

Apesar de acreditar nos relatos e ouvir das garotas forte preocupação pelo perigo que seu pai poderia ser, os anciãos decidiram não iniciar uma comissão judicativa porque uma das filhas não estava "emocionalmente preparada para se defender" perante seu pai. Para que um caso seja julgado internamente entre as TJs, a vítima tem que confrontar e acusar seu abusador. O pai perdeu sua designação como servo ministerial mas permaneceu como membro. Posteriormente, a vítima decidiu fazer isso e seu pai foi desassociado.

Um memorando escrito por três superintendentes em 2004 descreve um incidente em que a polícia foi até um salão do reino porque uma das vítimas e o acusado estavam ambos presentes, apesar do acusado ter uma ordem de restrição. O marido da vítima (que era ancião) foi quem ligou pra polícia. O memorando "questiona seriamente" esse ancião pela sua “ação arbitrária de passar por cima da organização teocrática por causa de seus sentimentos pessoais e, considerando as circunstâncias envolvidas, sua qualificação como ancião.”

O memorando disse: “Sem dúvida [o acusado] foi publicamente humilhado pela forma como foi preso”, mostrando muito mais preocupação com o acusado do que com a vítima e seu marido.

No mesmo mês, um ancião escreveu um memorando para um dos membros da comissão de admissão, que incluía uma entrevista com outra mulher que acusou a mesma pessoa de estuprá-la quando era criança, anos antes. Os anciãos contestaram a validade do depoimento dela parcialmente porque ela disse que seus olhos estavam fechados quando ele estava abusando sexualmente dela.

A Watchtower não quis comentar sobre esses documentos, e não respondeu se esses estão entre os documentos que a Watchtower está mantendo longe dos tribunais ao custo de 4 mil dólares por dia.

O texto acima é uma adaptação de: https://gizmodo.com/new-whistleblower-site-faithleaks-releases-confidential-1821799936


Para o texto fazer sentido, traduzi as expressões utilizadas para que fossem fiéis às expressões utilizadas pelas TJs. Por exemplo, "overseer" pode significar até "fiscal" mas entre as TJs significa "superintendente"; expressão "comissão judicativa" poderia ser entendida como "comissão judicial" mas esta não é a expressão usada pelas testemunhas de Jeová.

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